sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mundo de livros ao alcance dos deficientes visuais

O Dia Nacional do Livro, comemorado hoje, traz uma boa notícia para os deficientes visuais do Grande Recife. A Biblioteca Pública Estadual, localizada em frente ao Parque 13 de Maio, no Centro do Recife, oferece um acervo de 5.990 livros escritos em braile, além de diversas atividades para as pessoas que não possuem a capacidade de ler as impressões a tinta.

Esses serviços são ainda pouco conhecidos. Segundo um levantamento apresentado pela gestora da biblioteca, Roberta Guedes Alcoforado, existem 344 mil deficientes visuais em Pernambuco, 160 mil apenas no Grande Recife, mas a média de visitação da seção de braile é de apenas 280 pessoas por dia. Para o chefe do setor e deficiente visual, José Marcos Pereira da Silva, 49 anos, falta incentivo por parte das famílias. “A deficiência visual gera dependência e é preciso se desprender do medo para vencê-la. A leitura ajuda nesse sentido porque, para um deficiente visual, não saber o braile é como não ser alfabetizado”, compara.

O universitário Arão José de Oliveira, 35, concorda. “Eu aprendi o braile com 6 anos. Descobri a biblioteca aos 9 e, desde então, venho sempre”, conta ele, que é formado em relações públicas e, hoje, cursa fisioterapia, sempre usando a biblioteca como apoio. “Os livros técnicos escritos em braile são os mais difíceis de achar”, afirma Roberta.

Uma ferramenta que pode ajudar é a impressora em braile da biblioteca. “Com ela, é possível transcrever qualquer material impresso para essa linguagem ou mesmo imprimir obras próprias. É graças a ela que lançaremos dois livros na próxima Feira Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto). Um será transcrição de um livro de Miguel Arraes e o outro é uma história para crianças escrita por um jovem cego que frequenta a biblioteca”, explica Roberta. “Descobrir a capacidade de ler mesmo após perder a visão é uma conquista importante, uma motivação para enfrentar outras dificuldades”, acrescenta Marcos.

ADAPTAÇÃO - Atualmente, a biblioteca está passando por uma reforma que vai transformá-la em centro cultural. Após a reestruturação, prevista para terminar em abril, a seção de braile ganhará espaço maior, com mais destaque e máquina para ler os livros impressos em tinta. Novidades também nos banheiros, que serão adaptados para deficientes, e no chão, com a instalação do piso táctil. “Vamos também tirar as quinas e qualquer outro obstáculo que possa machucar os deficientes, enquanto estão sem as bengalas”, explica Maria das Graças de Souza, uma das funcionárias da seção de braile. “Esse é apenas o começo. Futuramente, queremos integrar os deficientes visuais e os outros visitantes da biblioteca em uma sala única”, planeja Roberta.

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