quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Autismo, esquizofrenia e retardo mental compartilham base genética, dizem cientistas

Equipe comparou as desordens genéticas de 750 pacientes e constatou que os genes alterados são os que desempenham um papel nas conexões dos neurônios

Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Rouen (norte da França) afirmam ter descoberto uma base genética comum para o autismo, a esquizofrenia e o retardo mental, informou nesta quarta-feira (7) a equipe de neurogenética do laboratório Inserm U 614.

A equipe comparou as desordens genéticas de 750 pacientes --divididos em três grupos-- que sofrem respectivamente de autismo, esquizofrenia e retardo mental.

"Encontramos os mesmos tipos de alteração nos mesmos genes envolvidos nessas enfermidades nos três grupos", assegurou Audrey Guilmatre, que faz parte da equipe de neurogenética dirigida pelo doutor Dominique Campion.

A equipe estabeleceu, por outro lado, que os genes alterados são os que desempenham um papel nas conexões dos neurônios. "Esse tipo de alteração só foi descrito recentemente e, por isso, estamos trabalhando seriamente no que significa", explicou Guilmatre.

Nova abordagem
Segundo a pesquisadora, esta descoberta possibilita uma nova abordagem dessas doenças que, até agora, eram consideradas completamente diferentes.

"Isso torna possível ter como objetivo de estudo o mecanismo de transmissão entre os neurônios, melhorar o diagnóstico e, a longo prazo, achar moléculas que possam tratar essas enfermidades", acrescentou.

O trabalho da equipe, que estudou 28 genes e continuará seus trabalhos com outros, foi possível pela existência de um banco genético da Fundação Autismo. Este organismo, que reúne famílias de crianças autistas, classificou a descoberta como muito importante.

"Nunca antes se havia descoberto uma grande porcentagem de pessoas autistas com a mesma anomalia genética nem uma evidência de anomalia genética comum entre autismo, esquizofrenia e retardo mental", declarou a fundação em um comunicado.

Depois desta descoberta, a fundação disse confiar "na ideia de que tratamentos moleculares, celulares e eventuais meios de prevenção estão realmente mais próximos". (Folha)

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